Festival de Curitiba
“Visita a Domicílio” estreia no Festival de Curitiba e aborda reencontro de amores interrompidos
Montagem apresentada no Festival de Curitiba narra o reencontro de dois antigos amores após 25 anos de silêncio.
Foto: Divulgação
A dramaturgia do argentino Alberto Romero ganha sua primeira montagem brasileira com “Visita a Domicílio”, espetáculo que estreia no Brasil durante o Festival de Curitiba. A peça é uma adaptação do texto original “Tu Hipocampo y Mi Caballito de Mar” e integra a programação da Mostra Fringe.
No palco, o ator argentino Juan Tellategui interpreta Gabo, que se vê inesperadamente diante de Fernando, vivido por Cícero de Andrade — seu grande amor da adolescência. Os dois não se encontram há 25 anos, desde uma ruptura repentina que permaneceu sem explicação.
A montagem tem direção de Zé Guilherme Bueno e Miguel Arcanjo Prado, com assistência de Julia Zann e Luiza Carvalho. Para Romero, a estreia brasileira dentro do festival representa um encontro simbólico entre as cenas culturais de Brasil e Argentina.
“É uma alegria que essa coprodução Brasil-Argentina estreie no Festival de Curitiba. É uma grande honra para mim e espero que seja o início de uma relação artística frutífera entre esses países irmãos”, afirma o dramaturgo, falando de Buenos Aires.
Amor, memória e identidade
A trama acompanha dois homens que voltam a se encontrar décadas depois de um romance interrompido na juventude. Segundo Romero, a história investiga o impacto que relações mal resolvidas podem ter ao longo da vida.
“O público verá uma história de amor que ficou inconclusa. Ao não poder encerrá-la, seus protagonistas permanecem, em alguma medida, presos a um passado que condiciona o presente”, explica o autor.
O texto também reflete sobre as dificuldades enfrentadas por pessoas LGBT+ em períodos em que assumir a própria identidade era ainda mais desafiador. Para o dramaturgo, a peça propõe um olhar diferente das narrativas frequentemente associadas à tragédia.
“Nossas histórias muitas vezes têm finais tristes. É importante que novas gerações possam ver que pessoas da comunidade LGBT+ também podem viver histórias felizes”, diz.
Do drama à comédia
Romero conta que o texto nasceu inicialmente como um drama, mas acabou ganhando novos tons durante o processo de revisão.
“Comecei escrevendo uma obra dramática, mas, ao revisá-la, percebi que o material caminhava para uma mistura de drama e comédia. Em alguns momentos a comédia surge dentro do drama — e vice-versa.”
O espetáculo brasileiro tem tradução de Juan Tellategui e adaptação de Miguel Arcanjo Prado. A equipe criativa inclui ainda Eder Sousa (sonoplastia), Nicolas Manfredini (iluminação) e Kleber Montanheiro, responsável pela cenografia e figurino ao lado de Zé Guilherme Bueno.
Sucesso em Buenos Aires
A peça estreou originalmente em Buenos Aires em 2025, com boa recepção de público e crítica. O sucesso garantiu uma nova temporada na capital argentina em junho deste ano.
Segundo Romero, muitas pessoas se reconheceram na história apresentada no palco. “Alguns espectadores diziam que haviam vivido algo parecido na adolescência. Outros se emocionavam por ver representadas experiências da comunidade LGBT+.”
Após a passagem pelo festival em Curitiba, a montagem brasileira também terá temporada em São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso.
Serviço
Visita a Domicílio
Festival de Curitiba – Mostra Plataforma Fringe BR
Teatro Paiol
7, 8 e 9 de abril de 2026
18h30
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Duração: 60 minutos
Classificação: 18 anos

