Festival de Curitiba
Mostra “Solos Para (Re)existir” usa a arte como voz da resistência
Evento gratuito reúne espetáculos e debates com artistas de Londrina durante o Festival de Curitiba, abordando racismo, opressão e exclusão

Foto: Valéria Félix
De 2 a 6 de abril, a mostra “Solos Para (Re)existir” ocupa praça Santos Andrade e a CAIXA Cultural em Curitiba, levando ao público três espetáculos solo e três bate-papos com artistas de Londrina (PR). Com entrada gratuita em grande parte da programação, o evento integra o Fringe e coloca em cena discussões urgentes sobre resistência, identidade e desigualdade através da arte.
Arte como instrumento de transformação
Os espetáculos selecionados trazem narrativas que confrontam o racismo, a opressão e a exclusão social, utilizando linguagens como dança, teatro e performance. Além das apresentações, os bate-papos com os artistas aprofundam o debate sobre o papel da cultura na construção de uma sociedade mais crítica e inclusiva.
Espetáculos da Mostra Solos Para (Re)Existir:
- Leno – Queria Nascer Flor: espetáculo gratuito, o drama apresenta um grande saco de lixo perambulando pelas ruas quebrando a lógica e a normatividade da cidade. Deste amontoado de entulho surge a figura de Leno, um andarilho que ocupa o espaço público estabelecendo relações com o lugar e com as pessoas. Revirando todo o lixo que carrega, descobre personagens e histórias reais ou inventadas, que revelam seu imaginário e desencadeiam reflexões profundas sobre aspectos de nossa humanidade. Em meio à perplexidade ordinária do cotidiano, Leno segue seu caminho dançando e gritando para nascer flor.
- Pret(A) – Resquícios de Uma Mulher Só: no solo, as histórias das mulheres de três gerações da mesma família são passadas adiante, de vó para mãe, de mãe para filha, para que não sejam esquecidas. O espetáculo é gratuito.
- Requiém Para Um Barbeiro: em um universo claustrofóbico, animalesco, trágico e solitário, José, um jovem barbeiro, é envolto por um emaranhado de situações que o oprimem, o enraivecem e o fazem perder a esperança em si mesmo e em tudo ao seu redor.
Bate-papos gratuitos:
- Mesa Redonda: A Produção Teatral e as Políticas Públicas para o Interior do Paraná: o encontro discute os desafios e possibilidades da produção teatral no interior do estado, destacando o papel das políticas públicas no fortalecimento e valorização da cultura local. O encontro aborda questões como financiamento, acesso a espaços culturais e a importância de garantir condições equitativas para artistas fora dos grandes centros.
- Mesa Redonda: O Papel do Feminino e da Negritude no Teatro dos Dias Atuais: um debate essencial sobre o protagonismo do feminino e da negritude no teatro contemporâneo. Explorando as histórias individuais e coletivas que emergem das lutas contra o racismo, a opressão e a exclusão social, o encontro reflete sobre como as narrativas artísticas podem dar voz às resistências e às transformações sociais. A discussão destaca o teatro como espaço político e inclusivo, onde a potência criativa das mulheres e da população negra contribui para a desconstrução de estereótipos e para a construção de um futuro cultural mais diverso e igualitário.
- Mesa Redonda: O Teatro de Rua e Seu Papel Político na Ocupação dos Espaços Públicos com Arte e Cultura: a conversa explora a potência do teatro de rua como ferramenta política e artística na ocupação dos espaços públicos. O debate reflete sobre a capacidade do teatro de rua de transformar ruas e praças em palcos de resistência, onde vozes marginalizadas encontram espaço para se expressar e dialogar diretamente com a sociedade. Abordando temas como justiça social, racismo, exclusão e direitos culturais, o encontro discute como a arte nos espaços abertos reafirma o direito à cidade, democratiza o acesso à cultura e promove engajamento comunitário.
Para saber mais informações acesse o site do Festival de Curitiba