Festival de Curitiba
Festim Diabólico: clássico de Hitchcock ganha versão para teatro no Festival de Curitiba
Agora, a trama retorna ao teatro com o nome de Festim, fazendo parte da programação oficial do Festival de Curitiba

Foto: Maciel Paludo
por Ana Santos
Um apartamento, uma corda e um baú. Um casal movido pelo desejo de se tornar super-homens, não no sentido dos heróis dos quadrinhos, mas sim no ideal filosófico proposto por Nietzsche em Assim Falou Zaratustra.
Esse é o cerne de Festim Diabólico, filme dirigido por Alfred Hitchcock em 1948, baseado na peça homônima de 1929, escrita por Patrick Hamilton. Embora não haja registros oficiais, acredita-se que a história tenha sido inspirada no assassinato de Bobby Franks, ocorrido em 1924, na Universidade de Chicago.
Agora, a trama retorna ao teatro com o nome de Festim, fazendo parte da programação oficial do Festival de Curitiba, dentro da Mostra Fringe, em uma versão encenada pelo Grupo de Teatro Amador do Colégio Estadual do Paraná – GRUTA. A montagem, dirigida pelo ator e professor Lau Bark, traz uma adaptação: os protagonistas Brandon Shaw e Phillip Morgan se transformam em Brenda Shaw e Phillipa Morgan, colocando atrizes mulheres no centro da narrativa.
Na história, Brenda e Phillipa compartilham o mesmo objetivo: cometer o crime perfeito e provar que é possível transcender os valores morais impostos pela sociedade, alcançando a superioridade humana idealizada por Nietzsche. O enredo se inicia com o assassinato do jovem estudante David Kentley, e isso não é nenhum spoiler. Toda a tensão da peça não está na execução do crime, mas sim no desenrolar de seus desdobramentos.
Prestes a receber amigos para uma reunião em seu apartamento, Brenda e Phillipa precisam lidar com a presença iminente dos convidados e o peso do crime recém-cometido. A situação se torna ainda mais complicada quando percebem que os convidados estão preocupados com o atraso de David e começam a desconfiar de que algo ruim aconteceu com o rapaz.
Um dos convidados é o Professor Rupert Cadell, que conhece a vítima e, segundo Brenda, seria um dos poucos capazes de cometer um crime perfeito, alcançando a tão desejada superioridade humana. Mas seria o assassinato uma arte? Para Cadell, sim.
“Afinal de contas, assassinato é, ou deveria ser, uma arte. Não uma das sete principais, mas, porém, uma arte. E, como tal, o privilégio de cometê-lo reserva-se aos poucos indivíduos que são superiores”, argumenta o professor em meio a uma discussão sobre o tema.
Há também um certo gozo, por parte de Brenda, com toda a situação de tensão criada. Ao longo da festa, ela realiza diversas provações, como entregar alguns livros emprestados à Senhora Kentley (mãe de David) todos amarrados na corda que foi usada no crime e até mesmo endossar a preocupação de todos com a demora do jovem.
É possível alcançar a superioridade humana defendida por Nietzsche? Existe uma forma de cometer o crime perfeito? Talvez nunca cheguemos às respostas dessas perguntas, mas certamente o crime cometido por Brenda e Phillipa e o desenrolar da história é capaz de prender o público do início ao fim.
Serviço:
Festim
Data: 04 e 05 de abril
Horário: 20h
Local: Palácio dos Estudantes – Casarão da UPE, Carlos Cavalcanti, 1157, São Francisco
Entrada Gratuita