Rio de Janeiro
Com indicações ao Prêmio Shell, “Negra Palavra – Poesia do Samba” volta aos palcos em 2026
Espetáculo indicado ao Prêmio Shell retorna aos palcos exaltando o samba como poesia popular e resistência cultural.
Foto: Thaysa Lota
Indicado ao Prêmio Shell de Teatro nas categorias Melhor Ator e Melhor Figurino, o espetáculo “Negra Palavra – Poesia do Samba” retorna aos palcos em janeiro de 2026, no Teatro Firjan SESI Centro, no Rio de Janeiro. A montagem fica em cartaz de 10 de janeiro a 8 de fevereiro, com sessões aos sábados e domingos, às 17h.
Cantados há mais de um século em terreiros, rodas, escolas de samba, ruas e avenidas, os sambas atravessam o cotidiano brasileiro como expressão de resistência, afeto e celebração da vida. Em cena, o Complexo Negra Palavra parte da premissa de que todo samba é, antes de tudo, um poema vivo. Ao deslocar as letras do canto para a palavra falada, o espetáculo evidencia a sofisticação literária do gênero e reafirma o samba como uma das mais potentes manifestações da poesia popular brasileira.
Dirigida por Muato e Renato Farias, a peça surge do desejo de homenagear poetas negros ligados à tradição do samba, após o sucesso de Negra Palavra – Solano Trindade. Inicialmente pensado como um tributo a Nei Lopes, o projeto se expandiu para celebrar o amplo e diverso conjunto de poetas-sambistas do país, reconhecendo a força poética presente nas letras do gênero.
A dramaturgia foi construída de forma coletiva e guiada por uma pesquisa desenvolvida por Renato Farias há mais de duas décadas, que investiga a transposição da poesia para a cena. “Poema-em-cena é uma dramaturgia composta por poesias selecionadas a partir de critérios que revelam quais poemas desejam mais a cena — aqueles que não se realizam apenas quando são escritos, mas também quando são ouvidos”, explica o diretor.
Para Muato, a poesia do samba ultrapassa o texto e se manifesta na própria existência do sambista. “Mais do que nas letras ou nos poemas, a poesia do samba está na forma de estar no mundo. Ela se expressa no corpo, nas relações, na maneira como o sambista ocupa a vida. O samba é uma cultura que atravessa todos os poros”, afirma.
Reconhecendo que o samba nasce no feminino, nas casas que primeiro o acolheram, o espetáculo convida a atriz Olívia Araújo, única mulher em cena, cuja trajetória profissional e vivência pessoal estão profundamente ligadas ao gênero. Sua presença simboliza o reconhecimento do papel central das mulheres — especialmente das matriarcas do samba — na construção dessa cultura, marcada por consciência política, social e ancestral.
“O elenco é inteiramente formado por homens negros, corpos amorosos, poéticos e elegantes. Neste trabalho, o coroamento é estar com Olívia Araújo, uma estrela. É o encontro desses atores com uma rainha, todos unidos por um amor profundo ao samba”, destaca a direção.
O Complexo Negra Palavra é um coletivo artístico multilinguagem dedicado ao protagonismo negro e à criação de novas narrativas para a cena teatral. Formado por Adriano Torres, André Américo, João Manoel, Eudes Veloso, Jorge Oliveira, Lucas Sampaio, Muato, Raphael Elias, Renato Farias, Rodrigo Átila e Thiago Hypolito, o grupo soma quatro espetáculos de sucesso em apenas seis anos de trajetória. Negra Palavra – Poesia do Samba celebra duas indicações ao Prêmio Shell: Melhor Ator, para Lucas Sampaio, e Melhor Figurino, para Ananda Almeida e Raphael Elias.
Serviço
Negra Palavra – Poesia do Samba
Local: Teatro Firjan SESI Centro – Av. Graça Aranha, 1, Rio de Janeiro (RJ)
Temporada: 10 de janeiro a 8 de fevereiro de 2026
Dias e horários: Sábados e domingos, às 17h Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Ingressos: R$ 20 (meia) | R$ 40 (inteira)

