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Festival de Curitiba

Quando a música basta — e o teatro falta

O espetáculo agrada o público. Óbvio. Estamos a falar de Tim Maia. Mas não encontramos – infelizmente – repercussão cênica na montagem.

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Por Leonardo Talarico

O Brasil possui uma adaptação e direção cênica bem corriqueiras nos musicais. Poucos experimentam linguagens diversas e desafiadoras. Essa ponderação sobressalta quando estamos diante de homenageados como Tim Maia.

O primeiro grande problema na adaptação é a escolha do recorte. Existe um desejo explícito de “colocar tudo” no palco.

A segunda questão é conduzir a narração e as relações interpessoais como mera porta de entrada aos “acontecimentos musicais”.

Grandes artistas carregam processos solitários e dramáticos nas suas biografias. E na pontuação cênica é o verbo e a pausa que dão conta estrutural dessas dores.

O simbólico também é um elemento frequentemente esquecido. Os musicais caminham apenas nos fatos. Esquecem a ambiência.

O espetáculo Tim Maia – Vale Tudo. O Musical, baseado na obra de Nelson Motta, incorre nos mesmos equívocos dos seus pares.

As cenas transcorrem ausente impactos. Tudo é pretexto à próxima canção.

O espetáculo agrada o público. Óbvio. Estamos a falar de Tim Maia. Mas não encontramos – infelizmente  –  repercussão cênica na montagem.

A insubmissão própria de Tim Maia (isso écaçar a semiótica). É uma obra asséptica.

Não há mínima proposta cênica para levar de lembrança.

Os figurinos são utilitários e não possuem unidade. Estão voltados apenas à identificação das personagens, sem maiores exigências.

O cenário segue igual ideal, qual seja, a realidade.

A obra não aproveita a força motriz do Tim Maia para sair da comunicação do fato (já conhecido) e buscar pretensõesmais largas e ousadas.

A luz é funcional e segue a performance, sem recortes dramáticos e autonomia.

A direção de movimento reflete a estrutura dos musicais. Ninguém caminha para o seu destino. Todos seguem ao encontro das suas marcações.

As coreografias são fiéis à direção do espetáculo (divorciadas da originalidade).

A performance de Thór Junior é muito boa. Carismático e talentoso.

O elenco é uníssono e não compromete. Por outro giro, também não causa assunto na volta para casa.

A orquestra e todos os envolvidos com os instrumentais e regência operam com muito valor. Todos muito competentes.

No mais, nada demais. O demais mesmo eraTim Maia (onde estiver).

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