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Festival de Curitiba

História de Teatro e Circo: o espetáculo que virou encontro

um espetáculo, mas um modo de existir na arte: coletivo, familiar, profundamente enraizado na pedagogia brincante.

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Por Vanessa Ricardo

Na escola de teatro não ensinaram a atriz a ser mãe.

Por isso, ela foi aprender na escola da cultura popular.

E é dessa escola, viva, pulsante, coletiva ~ que nasce um espetáculo em que a plateia não assiste apenas: participa. Canta, bate palma, responde, ri. Torna-se extensão da brincadeira. Não há fronteira rígida entre palco e público, porque o que se constrói ali é encontro.

História de Teatro e Circo – Três Gerações de Arte Brincante, da Cia Carroça de Mamulengos, é um chamado direto à criança que ainda resiste dentro de cada um de nós. Um convite à memória afetiva, àquilo que fomos ~ e, de alguma forma, seguimos sendo. É riso, é jogo, é reencontro.

Mas também é alerta.

Em tempos em que as infâncias são atravessadas por referências cada vez mais distantes da cultura popular brasileira ~ muitas vezes substituídas por narrativas eurocentradas ~ o espetáculo reafirma: um povo sem cultura é um povo eternamente colonizado. Um povo sem memória é um povo sem si.

Há, na cena, uma vitalidade rara. Talvez porque o espetáculo não seja algo que se apresenta, mas algo que se vive. Ele é orgânico, atravessado pelas histórias de quem o faz. E isso não se ensaia: se herda, se constrói, se compartilha.

Prestes a completar 50 anos, a Cia Carroça de Mamulengos carrega um tempo que ultrapassa gerações ~ inclusive, mais do que muitos dos que estavam na plateia. Vinda de Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, a companhia chega a Curitiba pela primeira vez trazendo não apenas um espetáculo, mas um modo de existir na arte: coletivo, familiar, profundamente enraizado na pedagogia brincante.

E talvez resida aí sua maior potência: uma família que faz da arte sua continuidade, seu ofício, sua memória viva.

O Teatro Bom Jesus não atingiu lotação máxima, apesar de estar cheio. Havia cadeiras vazias ~ e isso diz muito. Quem comprou ingresso e não foi perdeu a oportunidade de assistir a um espetáculo um dos espetáculos mais belos desta edição.

Um diamante em cena.

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