Literatura
A última crônica: Brasil se despede de Luis Fernando Verissimo

O Brasil se despede de um de seus escritores mais queridos. Luis Fernando Verissimo faleceu na madrugada deste sábado, 30 de agosto de 2025, em Porto Alegre, vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia. O escritor estava internado desde o dia 11 de agosto na UTI do Hospital Moinhos de Vento e morreu às 00h40. Tinha 88 anos.
Nascido em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, Verissimo era filho de Érico Verissimo, autor da emblemática saga O Tempo e o Vento, e cresceu cercado pela literatura. Com uma trajetória múltipla, atuou como cronista, cartunista, dramaturgo, romancista, tradutor, roteirista e também como músico o saxofone foi uma de suas paixões.
Sua carreira como cronista começou no jornal Zero Hora em 1966 e rapidamente conquistou espaço em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como O Estado de S. Paulo, O Globo, Folha da Manhã e a revista Veja. Seu estilo leve, irônico e afiado transformou-o em um dos grandes cronistas brasileiros contemporâneos, capaz de unir humor e crítica social com a mesma habilidade.
Ao longo de mais de cinco décadas de produção, Verissimo publicou entre 70 e 80 livros, com mais de 5,6 milhões de exemplares vendidos. Criou personagens icônicos, como Ed Mort, o detetive atrapalhado; O Analista de Bagé, símbolo do humor gaúcho; e a Velhinha de Taubaté, imortalizada como “a última pessoa que ainda acreditava no governo”. Essas figuras atravessaram gerações, tornando-se parte da memória afetiva e cultural dos brasileiros.
Luis Fernando Verissimo deixa um legado literário que une leveza e profundidade, capaz de provocar risos e reflexões na mesma medida. Casado desde a década de 1960 com Lúcia Helena Massa, era pai de Fernanda, Mariana e Pedro, todos ligados ao universo da arte e da cultura.
Com sua morte, o Brasil perde um cronista que soube traduzir em palavras as contradições, alegrias e melancolias da vida cotidiana. Mas sua obra permanece como um convite permanente à leitura, à reflexão e ao prazer de rir de nós mesmos.