Música
5 bregrooves para dançar com o coração partido, segundo Manzana
Estudiosa do assunto, ela sabe que música também é memória, afeto e exagero. Por isso, criou – na pista da própria vida – um lugar onde é possível sofrer e dançar na mesma batida.

Por Maria Eduarda Schwab
Em Curitiba, ela é a dona da festa desde os anos 90. Já comandou balada, bar, boteco e, hoje, “só” as pick-ups – como se isso fosse pouca coisa. Não à toa, ela responde por vários codinomes – Márcia, Maçã, Manzana, DJ Selecta Manzana, e por aí vai.
Estudiosa do assunto, ela sabe que música também é memória, afeto e exagero. Por isso, criou – na pista da própria vida – um lugar onde é possível sofrer e dançar na mesma batida.
A trilha sonora? O bregroove, uma categoria de música muito emocional, brega e cafona, que mistura romantismo, suingue e aquele clima de fita k7 tocando num domingo à tarde.
“Eu sou uma romântica incorrigível”, avisa. E é no lado B da música brasileira – da fase setentista de Antônio Marcos às faixas esquecidas de Wanderley Cardoso ou Fernando Mendes – onde ela encontra seus diamantes. E os lapida, incluindo-os em seus setlists carregados de puro amor.
“Esse mergulho nas joias da música brega brasileira só confirma a minha conexão com elas: todas românticas e dos anos 70, igualzinha a mim! (risos)”
“Tem umas músicas que ninguém acredita quando eu toco, mas boto com gosto. São lindas, são dramáticas. Sonzeira! E a galera responde. O que eu vejo na pista é que todo mundo tem um ex que merecia “aquela” trilha sonora, vejo as pessoas dançando com emoção, de olhos fechados”, conta.
É verdade. E quem ouve, entende. Nem que seja com um nó na garganta, um passinho colado e o coração apertado.
Com vocês, a playlist de bregrooves da Manzana:
Nota da jornalista: Aliás, a playlist tá no Spotify (com bonus tracking e tudo) – é só clicar aqui!
Reginaldo Rossi – Dessa vez não vou errar (Chega de promessas)
Reginaldo Rossi, o rei do brega!
A letra dramática fala sobre decepção amorosa e a decisão de nunca mais errar no amor, como se isso fosse possível!
Um baixão fueda! Baita groove! Álbum produzido pelo sensacional Tony Bizarro [produtor de grandes nomes da música brasileira como Tim Maia, Cassiano, Hyldon e Carlos Dafé] e arranjos sofisticados do Lincoln Olivetti [produtor pioneiro em sintetizadores e eletrônica na MPB, trabalhou com Tim Maia, Gilberto Gil, Gal Costa, Rita Lee, Caetano Veloso]. Disco valorizado na praça!
Wanderley Cardoso – Vou embora e vou sumir
Wanderley Cardoso, um dos caras da Jovem Guarda, manda ver nessa faixa meio soul com uma pegada psicodélica.
A letra tem um teor super dramático e fala de uma despedida difícil, com harmonias vocais sutis, bem alinhadas à estética romântica da época. Representa bem a veia sentimental que marcou a carreira de Wanderley.
Fernando Mendes – Não vou mudar
Uma música que também fala de amor, mas sem submissão. Uma declaração firme de identidade existencial.
É quase um desabafo! Fernando não abre mão de ser quem é por relacionamento nenhum. Errado não tá! Baixo pulsante e metais embalando gostoso, um balanço contido. Acho bem soul!
Gilberto Reis – Conclusão
É uma canção que fala sobre a ilusão amorosa, mas com a dignidade de quem aprendeu a lição. Introspectiva, romântica, com uma bela pitada de amargura.
Violão limpo, o baixo presente, embalo que envolve. Um brega refinado.
José Augusto – Eu sou assim
José Augusto, um dos maiores recordistas de música de novela! Um hino à autenticidade e um foda-se à opinião alheia.
O baixo sempre presente, uns tecladinhos para deixar a viagem sonora mais legal. Um belo de um pop brega.