Curitiba
8 shows que deixaram o Psycho Carnival em chamas
Por Maria Eduarda Schwab
São 25 anos inflamando Curitiba, no Carnaval, com o maior festival de psychobilly da América Latina. O Psycho Carnival prova, a cada ano, que o espírito da folia não é só feito de samba.
Por trás dessa combustão cultural está Vlad Urban, produtor cultural e criador do movimento que colocou Curitiba na rota internacional de turnês do psychobilly.
Convidado pelo Jornal A Cena, ele revisita essa trajetória e lista oito apresentações que marcaram época, incendiaram o público e ajudaram a construir a reputação do Psycho Carnival como um dos festivais mais importantes do underground mundial.

foto: Maria Eduarda Schwab
1. Batmobile (2006)
Foi a primeira grande banda da cena mundial do psychobilly que trouxemos ao festival. Escolhemos o Jokers, que à época tinha acabado de inaugurar um sistema sonoro novo. E trazer o Batmobile era um sonho que estávamos realizando.
Mas, no final do show, o que acontece? As caixas de som que levam a música até o público falharam.
E eles? Continuaram tocando, mesmo sem o P.A [sistema de som que joga a música do palco para o público: caixas principais, subs, amplificação, mesa etc. É o que faz quem tá lá no fundo ouvir a banda], finalizam o show praticamente só com o retorno – então o som que a gente ouvia das vozes era do retorno ou do palco…. Ou seja, se desprenderam da ideia de fazer um show certinho e ter tudo organizado só para cantar com a gente as últimas músicas sem o P.A. Foi genial!
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Foto: Gabriela PC
2. Banane Metalik (2007)
O Banane Metalik é uma banda francesa que mistura o heavy metal e o thrash com o psychobilly. Vieram com muita vontade de tocar aqui, já que tinham acabado de lançar o disco clássico “Sex, Blood and Gore’n’Roll”.
Foi uma das primeiras vezes em que recebemos um bom público da América Latina, especialmente chilenos, todos fãs da banda, e isso nos deu muito orgulho.
Lembro de como tudo foi bem tocado e executado, e parecia que estávamos ouvindo um disco. Isso aconteceu principalmente pelo comprometimento de Ced666 (Cédric Lava), vocalista, que na hora de passar o som testava cada instrumentode forma meticulosa. Um show que vai ficar na memória, sem dúvida.
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foto: Gabriela PC
3. Klingonz (2009)
O festival tinha atraído um público muito grande nas edições anteriores e, por isso, resolvemos organizar a nova edição em um espaço maior. O escolhido foi o Clube Operário, lugar tradicional e famoso por seu Carnaval, que agora receberia o Psycho Carnival. Lotou.
O Klingonz tem uma pegada circense, brinca com esse universo e até trouxe à cidade um palhaço em cima de pernas de pau. Aconteceu algo inusitado: o Huguinho, uma pessoa com nanismo que veio de Belo Horizonte para assistir ao show, foi convidado ao palco. Vestido de palhaço e armado com uma pistola d’água, ele fez o show com a banda. A amizade que surgiu foi tão forte que Huguinho foi morar na Irlanda, país do Klingonz, e participou de vários outros shows. Foi demais!
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Foto: divulgação
4. Demented are Go (2013)
Os ícones do psychobilly estavam pela segunda vez no Brasil. Só que, como sempre digo, tocar em festival é outra coisa, são shows muito diferentes das outras apresentações.
Fizeram um show absurdo.
E era um momento especial, mas era também sensível porque estavam voltando aos palcos após a saída do baterista original, primo do vocalista Mark “Sparky” Phillips, e eles estavam tocando com um baterista meio improvisado….
Eis que, perto do final da noite, acontece algo que só acontece nos shows do Demented are Go [risos]: numa das últimas músicas, o Sparky ficou irritado com o novo baterista que não acompanhava o ritmo da banda e partiu pra cima dele! Enfurecido. Um acontecimento inusitado em um show épico!
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crédito: Moco/Flickr
5. Baratas Tontas (2007)
Em 2007, o Psycho Carnival também marcou o retorno das Baratas Tontas, de Belo Horizonte. A banda estava parada e voltou aos palcos especialmente para o festival. O reencontro com o público, cheio de fãs reunidos, transformou o show em um momento daqueles que ficam na memória.
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Foto: Pri Oliveira
6. Frenetic Trio (2004)
Em uma edição mais antiga, em 2004, recebemos o Frenetic Trio, de Londrina, pela primeira vez por aqui.
A banda faz um som bem pesado e quase gutural. Muito boa essa mistura mesmo. FreneticTrio foi uma banda que fez uma revolução dentro da cena.
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foto: Angela Missawa
7. Cabeloduro (2020)
Uma das bandas punks mais importantes do país também esteve com a gente: a Cabeloduro, de Brasília, em um show matador. Era um novo momento do Psycho Carnival, quando a gente começou a trazer bandas punks também para dentro do festival. E Cabeloduro tem uma relação muito forte com a cidade, sempre tocaram aqui. E quando vieram pelo Psycho foi muito legal de ver o movimento, o público deles, e como foi um show matador.
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Foto: Glauber Ribeiro
8. Garotos Podres (2019)
Tivemos também a grande chance de receber os Garotos Podres. E foi genial.
Como já falei, show em festival tem outra energia — existe uma aura diferente, algo no ar. Algo acontece, sem dúvida. E isso foi logo após o Mao, vocalista da formação original, conseguir de volta o nome da banda. Inesquecível!

