Lápis

lapis

Nasceu como Palminor Rodrigues Ferreira, mas ficou conhecido por seu apelido Lápis, negro, alto e magro é sem dúvida um dos maiores compositores que o Paraná já teve. Nascido em 1942, o compositor, violonista e percussionista é um dos mais representativos compositores paranaense. Fez muito sucesso nas décadas de 60 e 70. Deixou sua marca na música curitibana com seu ritmo cheio de ginga, fez samba como ninguém fez no estado.
Possuía uma sensibilidade fora do comum, iniciou na composição muito cedo, aos 11 anos já escrevia suas primeiras músicas. Aos 15 compôs a música Vestido Branco, seu maior sucesso. Palminor nasceu em uma família de músicos, seu pai fazia questão de reunir a família para cantoria, o que influenciou no amor pela arte. “Quando Papai reunia a família o Palmi sempre ficava batucando alguma coisa. Ele adorava o que fazia, por isso escreveu músicas lindíssimas e que as pessoas lembram até hoje”, lembra Dona Mide, irmã de Lápis.
De acordo com o músico Jazomar Rocha, um dos grandes divulgadores da obra de Lápis. “Ele sem dúvida é uma referência como musico e compositor. Executava o violão e cavaquinho com muito suingue. Era também um ótimo percussionista. Isso fazia que a sua mão direita na condução do samba fosse “invejada” por qualquer outro músico. Lápis inovou a levada do samba. Como compositor os seus parceiros são um forte alicerce da sua obra. Na minha visão, o Lápis é o maior compositor paranaense pela extensão ritma onde transita sua música, vai do samba ao samba canção, passa pela bossa nova e toada, pelo fandango e tem nas marchas-ranchos e frevo o tempero carnavalesco”, comenta o músico que lançou em 2006 o CD À Lápis.
Em 1967, Lápis formou a banda Bitten IV com Anadir Salles, Dalton Contin e Fernando Loco. O grupo fez tanto sucesso em Curitiba, que foram tentar a sorte no Rio de Janeiro. O Bitten chegou a gravar um compacto com as músicas Vestido Branco e Paticumbá. Nestas gravações contaram com a participação de Erlon Chaves, Wilson das Neves, Copinha, Ed Maciel. Foi durante esta época que a música Dia de Arlequim, de autoria de Lápis e Paulo Vítola, ficou em 8º lugar das 3.600 musicas que concorria no Festival de Música de Carnaval do Rio de Janeiro. Foi neste período que Lápis se consagrou ainda mais, Eliana Pittman, a rainha do carimbo, gravou Meu Novo Amor, e os Originais do Samba, grupo de samba que Mussum fazia parte, gravou Paticumbá.
Lápis faleceu em Curitiba em 1978, aos 36 anos de idade, por problemas cardíacos, sua morte prematura não impediu que ele deixasse tantas contribuições à música brasileira. Sua importância é tanta que com o passar dos anos ele é jamais esquecido e as novas gerações que descobrem suas músicas se apaixonam pelo trabalho que lápis deixou.
“Lápis me fez cantora. A sua obra e seus parceiros musicais foram a minha escola de canto. Eu tenho um grande carinho pelas obras musicais, pela poesia e pela história do compositor. Eu já realizei três espetáculos solos e em todos eles sempre existiu um momento dedicado a ele, desde Silêncio que deu nome ao primeiro espetáculo, depois Triste Carnaval, uma linda marcha-rancho que esteve no meu segundo show chamado Lírico na Canção Popular” e Onde ela Mora e Estranha Saudade, que tiveram no ultimo show intitulado Um Mundo para Dulce. A minha história com o repertório do Lápis, começou numa pesquisa acadêmica, seguiu para os palcos e se transformou no projeto do meu primeiro CD solo, Lençol de Flores, do qual disponho a obra do Lápis em suítes arranjadas pelo Roberto Gnattali e Luis Otávio Almeida”, disse Juliana Cortes, 27 anos, cantora e produtora cultural curitibana.
Finalizo essa matéria com as palavras de Aramis Millarch, jornalista e critico musical que escreveu em 19 de maio de 1978, um dia depois da morte do grande compositor. “Lápis nasceu nas Mercês, à mercê de toda sorte da vida. Porém, a sorte nem sempre foi sua companheira: um atropelamento em plena calçada de Copacabana, um acidente automobilístico no qual desencarnou a sua musa, duas operações cardíacas. Mas a música de Lápis não morreu”. Com mais de 33 anos de sua morte comprovamos que a música de Lápis não morreu. A borracha não vai, e não pode apagar esse Lápis.

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